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zonaDINAmica

Clube Oficial de Fãs da Cantora e Compositora Dina.

"Aguarela de Junho" - 25 Anos (IV)

 

As canções de Dina são sementes de Liberdade, de Amor, de Igualdade e de Inclusão. O legado de Dina são as suas canções, o altruísmo e o artivismo.

 

»Já não se usa / Não ser capaz« (4)

"Somos todos pessoas e ponto!". Era esta a resposta que, calmamente, Dina respondia quando nos últimos anos ainda era "picada" sobre alguma temática LGBTQIA+. Cada pessoa tem a sua indentidade, que é diferente mesmo em gémeos! As pessoas dentro da comunidade LGBTIQ+ são todas diferentes, não se pode obrigar a todo este grande e diverso grupo a pensar e agir de uma única determinada maneira. Afinal, são pessoas ou coisas programáveis? "Os rótulos são descritivos, não prescritivos" (Stefano Verza, psicólogo clínico).

 

Dina não transgride, como várias vozes ocas a acusaram, mas antes transcende. Dina actuo em situações e climas hostis, intimidatórios, mas saiu sempre por cima. Dina deu o corpo às balas ao afirmar-se publicamente como membro da Comunidade LGBT no início da década de 90 (por Dina ser completamente transparente, todos sempre souberam desde sempre; sendo discreta nunca viveu escondida), pois já não suportava a violência para com essas pessoas e o seu assassínio, em muitos casos.

 

 

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»»» Bónus:

Deixamos um hino reivindicativo de Dina pela causa LGBTQIA+, neste seu Dia Mundial: Deixa Lá.

 

"Aguarela de Junho" - 25 Anos (III)

 

 

Dina é fiel a sí própria, é o que é - artivista, - e como tal, canta o empoderamento. Doa a quem doer!

 

»Já não se usa / Não ser capaz« (3)

Havia um canal do Youtube com o vídeo do segundo ensaio de Dina na Eurovisão, em Malmö, em que havia vozes ao redor da câmara, antes de começar dito ensaio, com vocabulário pejorativo se a Dina seria "mister" ou "miss" (quiçá algumas dessas vozes de fundo eram de dentro da Comunidade LGBTIQ+), mas depois do ensaio da canção a ovação surgiu, também pelo facto de ter sido apresentada uma versão diferente à do primeiro ensaio, pois foi bilingue, em português e inglês.

 

Há também muito ódio e preconceito entre os membros da Comunidade LGBTIQ+, achando-se umas pessoas superiores às restantes, criando subdivisões com posturas machistas, feministas e outras '-istas', que, como é de esperar, corroem e destroem. Há que haver diálogo e bom senso, há que remar juntos e bem sincronizados se o objectivo é vencer (ou pelo menos chegar a algum lado) - essas pessoas não sabem que a Diversidade é... DIVERSA! Nos Estados Unidos (e não só), durante o período feroz do HIV/SIDA nos 80´s, os homens homossexuais (e não só!) estavam a morrer pela inexistência de sangue nos hospitais. Foram as mulheres lésbicas que se colocaram na primeira linha de batalha contra a doença e fizeram em massa transfusões de sangue para os poderem salvar (fonte). Como se fosse pouco, foram elas que se acercaram aos doentes nos hospitais, que estavam completamente isolados e numa solidão profunda, dando-lhes afecto e retirando-lhes a culpa e a vergonha. Como sinal de reconhecimento e gratidão, a Comunidade, então GLBT, decidiu antecipar a sigla L (de lésbicas), cabendo-lhes as honras de abertura da designação desta diversa Comunidade, que se mantém até hoje a nível mundial: LGBT.

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"Aguarela de Junho" - 25 Anos (II)

Dina é uma cantora e compositora diversa, artivista por natureza. Em meados de 1994 Dina estreia publicamente "Aguarela de Junho", uma trova belíssima acabada de ter letra da Rosa Lobato de Faria e que viria a ser gravada em 1998. Com esta canção Dina pronuncia e visibiliza que é 'o amor que não ousa dizer o seu nome'. Algo que nunca foi segredo, pois Dina sempre foi fiel a si própria. Contra o Ódio marchar, marchar. A apresentação da canção foi só com voz e guitarra, em que Dina utilizou os característicos vocalizos.

 

»Já não se usa / Não ser capaz« (2)

As palavras proferidas pela Dina sobre a sua sexualidade nos 90´s, em um Portugal onde imperava e impera ainda hoje o ódio, trouxe prejuízos à sua carreira artística, por pura estupidez de quem os praticou, "estupidez" essa que é crime punível por Lei (mas que NUNCA se aplica, como em tantas outras leis portuguesas)! Desde que a Dina apareceu na televisão e nos concertos, notava-se que ela era uma mulher com uma presença diferente, não só musicalmente falando, mas visualmente. É inteligível que as mulheres (assim como os homens) não são todas iguais, e Dina em nada dissimulava e vestia a pele de uma personagem muito feminina, segundo os cânones estereotipados que ditam as modas. Dina se apresentava tal e como era onde tinha de ir e estar, não deixando de ser Mulher.

Dina conseguiu transformar o que as mentes pequenas e nulas achavam de vergonha em orgulho, um ORGULHO SEM PRECONCEITO. Nos concertos, Dina cantava "Aguarela de Junho" com todo o sentimento e pujança que esta canção pede, transformando-a em um belíssimo hino da visibilidade lésbica e de empoderamento.

 

"Aguarela de Junho" - 25 Anos (I)

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Em 1998 Dina participa na Banda Sonora da telenovela Os Lobos (RTP) com duas canções: "Vitorina" (do álbum 'Sentidos', de 1997) e o tema inédito e autobiográfico "Aguarela de Junho".

 

 

Letra (Rosa Lobato de Faria):

Uma janela
Aberta ao mar
Um barco à vela
A deslizar
É Primavera
Na minha mão
Na tua hera
Que ao sol me espera
Já é Verão

Uma janela
De par em par
Numa aguarela
De azul e mar
Num horizonte
Feito a pincel
E os tons da tarde
São mais verdade
Na tua pele

Já não se usa
Não ser capaz
Tiras a blusa
A cor do lilás
E ao ver-te nua
E tão mulher
Na jarra verde
Morreu de sede
Um malmequer

 

»Já não se usa / Não ser capaz« (1)

Dina tem um timbre de voz e uma forma de cantar únicos e facilmente detectáveis e reconhecíveis, são a sua MARCA. A marca Dina também vai para além das suas canções e músicas, é igualmente indissociável desta a sua filantropia e o seu artivismo.

 

Anos antes da edição desta canção, a cantora e compositora Dina volta a agitar as águas, desta feita não pela sua música, mas falando publicamente da sua sexualidade em uma entrevista. Foi um ímpeto que a Dina sentiu a meio da década dos 90's, não para chamar os focos a si, mas para as variadas formas de violência física e mental que as pessoas LGBTIQ+ sofriam, para além da sua invisibilidade e do ostracismo a que eram remetidas. Este "pequeno" gesto de Dina, literalmente, salvou vidas, ao, algumas pessoas, tomarem consciência que não são as únicas no mundo que têm essa forma de sentir e amar, que não são aberrações (como os outros lhes afirmam e gritam), que há muitas mais pessoas como  elas e que isso é perfeitamente normal, não é uma doença nem crime! Essas pessoas diluiram assim o sofrimento e ganharam vontade de viver e força para lutar contra o ódio que as querem matar. Nesse tempo, como nos dias de hoje.

 

"Amar Sem Aviso" ao vivo (1980)

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Em 1980 Dina lança "Amar Sem Aviso", uma emotiva balada com Música da própria Dina e Letra de Eduardo Nobre, que fala do banal e complexo que é o Amor. Vai mais para além de um namorico, é algo sério. Muito sério, alias! Tão sério que este sentimento se auxilia de subterfúgios, de um jogo de tons claro-escuro, de meias palavras e acções, de máscaras, mentiras, segredos... E tão somente por ser "um amor que não ousa dizer o seu nome" ("the love that dare not speak its name"; verso do poema 'Two Loves' de Lord Alfred Douglas, 1894), apesar desse "tipo" de amor - a Diversidade! - existir há tanto tempo como a Vida neste Planeta! Com "Amar Sem Aviso", no pudico Portugal do ano 1980, Dina levanta a ponta do véu e diz o que ama, sem tapumes (mas com os obrigatórios eufemismos!), à semelhança do que fez com "Guardado em Mim", a sua canção-revelação meses antes no Festival da Canção. Dina voltaria a erguer, e mais claramente, a voz dos Direitos Humanos deste seu colectivo dois anos depois com "Deixa Lá". Seria em 1998, com a canção autobiográfica "Aguarela de Junho", que Dina escancararia as portas da "vergonha" e gritaria aos quatro ventos que ela própria é aquele Amor (que não ousava dizer o seu nome)!! Brava, esta enorme Mulher artivista!!

Nota zDm: As canções de Dina são completamente soltas e livres, não estão agrilhoadas a rótulos e, pior ainda, a pensamentos de Ódio! Quem tem meio dedo de testa não vai em Sinédoques, isto é, não despreza a totalidade de uma pessoa só por não gostar de um pequeno ponto muito pessoal da vida daquela (não falamos em actos que são considerados de crime!). Muitos há que têm enormíssimas traves nos próprios olhos e andam com grossas lupas à procura de um nanocóspico cisco no olho do outro. A perfeição é uma utopia, ao contrário dos telhados de vidro (que alguns se esquecem que os têm). Deixemos-nos ir na Beleza da Música de Dina, que o resto são tretas. Mais uma vez, a tecla é a mesma: Haja Respeito!

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No seguinte vídeo, Dina interpreta as duas estrondosas canções do seu segundo e recente single Pássaro Doido (1980): O rock "Pássaro Doido" (excerto) e a balada "Amar Sem Aviso" (min. 02:20), estilos musicais tão opostos que se complementam e equilibram, ilustrando a diversidade musical que marca e flui naturalmente em Dina, assim como são os seus famosos e peculiares vocalizos (scat singing)Ambas as canções têm Música de Dina, para as quais o Eduardo Nobre fez as Letras respectivas: