Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

zonaDINAmica

Clube Oficial de Fãs da Cantora e Compositora Dina.

Dina, a Trovadora Amordaçada

14Dina.jpg

Hoje é o aniversário natalício  de Ondina Veloso, a nossa sempiterna Dina. Hoje fazemos Memória dos seus 66 anos de Vida e das cinco décadas que serviu e engrandeceu a cultura portuguesa, quer em enormes palcos internacionais para milhares de pessoas, quer naqueles concertos mais íntimos, só com a voz doce e quente de Dina e o som da guitarra que ela dedilha.

 

Dina, estamos gratos pelo teu forte compromisso com o que te rodeia, o que impulsiona a tua coragem de gritar palavras como "Liberdade", "Tolerância", "Empoderamento" e "Visibilidade", que te levaram, por exemplo, a meio da década de 90 a revelar os teus segredos a fim de SALVAR VIDAS, sim, pois tu bem sabes a falta que faz a visibilidade de um referente, saber de uma outra pessoa igual, a nível afectivo, para fortalecer a quem está frágil e vulnerável, a quem é abandonado e rejeitado pela família, sociedade, instituições e políticos, estando à mercê e a ser alvo de atrocidades e em muitos casos a ponto de ser cobardemente assassinado - esses tais cobardes promotores de ÓDIO dirão que "a pessoa se matou" (que estupidez tamanha!), o que prova que para além de cobardes são completamente ignorantes e verdadeiros assassinos! 

 

Dina, estamos gratos por seres uma trovadora - trobairitz - contemporânea, que cantas a tua música, mesmo que amordaçada por razões de puro ÓDIO [ Nota: o género musical trova significa "poesia com música", são canções com letra poética que contam uma historia de amor, de crítica ou de conteúdo socio-político. As trovadoras da Idade Média foram consideradas transgressoras, por porem em causa a norma de poder masculino tóxico ].

 

Dina, estamos gratos por tudo o que és e de ti emana, pela tua Vida e pela tua Música que em nós cria ondas e nos faz abraçar a Vida e partir numa viagem, invadidos por emoções com uma enormíssima Paz sem-fim, deixando-nos ir nesse marulho embalados em ritmos e palpitações até o final do horizonte, até o tesouro escondido/depositado no outro extremo do arco-íris. Sempre contigo e em ti, On-Dina. Ilumina-nos.

 

N.B.: São muitas as vozes (amordaçadas) que actualmente referem o atraso geral, a corrupção, a falta de perspectivas e de Liberdade que Portugal atravessa. Pode-se fazer o paralelismo com um conterrâneo de Dina: Aristides de Sousa Mendes. Há contudo uma enorme agravante entre as duas épocas e é que o que de bom havia antes, agora não existe! Em suma, a situação actual é a pior da História nacional.

 

 

 

Dia Mundial da Poesia

21514614_ymzEh.jpeg

Dina, mesmo sendo autodidacta, criou duas maneiras de composição. Grande parte das suas canções nasceram primeiro pela música, que Dina apresentava a autores para ser feita a letra, a partir de palavras/frases soltas no meio do instrumental da sua guitarra e da melodia em scat singing ("cantar vocalizando tanto sem palavras, quanto com palavras sem sentido e sílabas"). Outra faceta da sua composição era musicar Poemas.

 

Dina musicou Poemas, entre outros, de Fernando Pessoa, António Gedeão, Rosa Lobato de Faria e José Gomes Ferreira.

 

DINA_postal_musical_arquitecto8.jpg

 

É um Poema deste último que apresentamos hoje. "Arquitecto" foi musicado e gravado por Dina e consta no CD de originais Sentidos de 1997, álbum este que foi reeditado em 2013, na Colecção «Vozes do Coração» nº 19 do jornal Correio da Manhã.

 

"Arquitecto" é um tema intenso e despido de artifícios. Unicamente Dina, a dedilhar a sua guitarra com a sua voz melodiosa e timbre característico.

 

Infelizmente, continuamos a atravessar uma apertada censura (mais do que antes da "Liberdade", conquistada aparentemente em 1974!) que assassina o que é diferente e inovação. Neste século XXI Dina foi proibida de editar álbuns de originais - apesar de as cinco décadas de canções de Dina ter sempre sido uma autêntica pista de obstáculos! - mesmo tendo imenso material, só por ser Mulher e dar voz a quem a não tem. A política da "máquina" (editoras, rádios, industria discográfica, etc. ) assassinaram uma GRANDE MULHER, uma Cantora e Compositora portuguesa, com Alma, Coração e vontade de Viver, que deixa uma enorme lacuna na Música Portuguesa... E, como estamos em Portugal, com a sua liberdade podre e despotismo, a culpa morre sempre solteira! Da sua Visão, filantropia e trato maternal, ficam também Saudades Eternas.

 

- Vídeo:

 

- Áudio:

 

 

Recadinho à RTP

rtp.png

 

Não queremos terminar de continuar a dar puxões de orelhas à RTP, televisão pública portuguesa, já que gostamos imenso dela. Quando a RTP disponibilizará TODO o material que têm de Dina na internet, como fez com outros artistas? 

 

Os nossos artistas nascem e existem para mostrar a sua Obra aos portugueses (e ao Mundo!) e pertencem aos portugueses e estes merecem os conhecer e os recordar! Os artistas portugueses não são para ser e estar escondidos debaixo do vosso tapete de entrada, já que eles não são lixo! Aprendam dos outros Países e copiem, com canais próprios para apoiar os seus artistas! Eles é que prestam verdadeiramente serviço público! Como a RTP permite que alguns artistas tenham os seus canais de Youtube repletos de vídeos e, por outro lado, essa mesma RTP ande à lupa a censurar e bloquear o mais pequeno vídeo que apareça do artista 'X' ou 'Y'? Não basta o artista trabalhar de borla e ocupar de forma construtiva a vossa grelha de programas, sendo, para cúmulo, impossibilitado de mostrar o seu Curriculum Vitae... E esta, heim?

 

Uma pergunta à RTP: Para onde vai essas largas centenas de milhões que recebem das vossas três fontes de rendimento - taxa audiovisual de 3 euros mensais por cada contador de electricidade instalado (casa, fábrica, poço de rega, etc.), que dá algo como 180 milhões de euros anualmente, valor este que irá ser aumentado em breve pelo Governo; 250 milhões de euros do Orçamento de Estado, previsto em 2020; Receita não divulgada proveniente da Publicidade Comercial (que terá valor próximo ou superior aos outros dois já indicados, tendo em conta o tempo excessivo que ocupa), - enquanto as televisões privadas vivem só única e exclusivamente da Publicidade Comercial?

 

430 milhões por ano que a população de Portugal paga directamente à RTP e esta mesma população não vê onde é aplicado (utilmente) esse dinheiro!

 

Sugestão de Serviço Público: DISPONIBILIZEM TODO O MATERIAL AUDIOVISUAL DE DINA, DESDE A DÉCADA DE 70's, AO ESPAÇO DINA NO MUSEU DE CARREGAL DO SAL. É obrigação vossa, ou o País está enganado?

 

Pelas Márcias e Rafaeis de Portugal!

Dina, quer pelas suas canções, quer pelas suas acções, belisca-nos para o essencial da Vida. A doença que levou a nossa Dina - fibrose pulmonar, - fez com quem desconhecia ou queria saber mais sobre essa doença, a colocar essas duas palavras nos motores de pesquisa.

 

788579.png

 

É por esse motivo que uma das notícias de hoje não pode deixar um fã de Dina a assobiar para o lado! Márcia e Rafael precisam não de uma mão, mas de um medicamento: Kaftrio. Mesmo não conhecendo a Márcia nem o Rafael, que têm fibrose quística, fica aqui o nosso apoio e grito, para não deixar continuar a dormir as entidades portuguesas e a sua padroeira, a Santa Burocracia! O SILÊNCIO MATA!

 

Ao saber do que tratava o filme "Five Feet Apart", que foi traduzido para português como "A Distância Entre Nós", de 2019, e os enormes elogios por parte dos médicos especialistas internacionais, que confirmava que não era um filme para comer pipocas, mas algo sério e com muito de real, vi-o e aqui o recomendo. É sobre a doença da Márcia e do Rafael.

 

Aniversário de Dina

dina_an3h2.jpg

Ondina Maria Farias Veloso, Ondina Veloso ou Dina | Mulher | compositora autodidacta | cantora com um timbre ímpar e facilmente identificável | interactiva | confortável em vários estilos musicais, mesmo opostos e improváveis | vanguardista e pioneira | uma referente scat singing* | humanitarista | artivista de várias causas | trato maternal, transparente, humilde e de voo altaneiro | e mais, muito mais | aqui, agora e sempre.

_____________________

*Scat é uma técnica de canto que consiste em cantar vocalizando tanto sem palavras, quanto com palavras sem sentido e com sílabas. Saber mais: Dina, a scat singing portuguesa e definição alargada de scat singing (wiki)

******************************************************

 

22091502_2NzEk.jpeg

Hoje fazemos Memória do 65º aniversário natalício de Dina. Também estás guardada em nós, onda de Luz, na nossa pequena "cesta".

 

Princípios Sobre Tolerância

Dina, artivista por natureza, também focou nas suas canções a Tolerância (e mais tarde acabou por ser vítima da intolerância/ignorância por parte de alguns), que, a 16 de Novembro tem o seu Dia Internacional. Hoje assinalam-se os 25 anos dos Princípios Sobre Tolerância adotados pelos Estados-membros da Unesco.

 

(https://www.sapo.pt/noticias/atualidade/artigos/dia-internacional-da-tolerancia-na-base-da-polarizacao-esta-a-ignorancia-que-gera-o-medo-e-o-odio

 

Texto:

Dia Internacional da Tolerância: «Na base da polarização está a ignorância que gera o medo e o ódio»

  • Sónia Santos Dias
    Sónia Santos Dias
16 nov 2020
Faz hoje 25 anos que os Estados-membros da UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura assinaram os ‘Princípios sobre a Tolerância’. É um documento onde os países se comprometem a defender os direitos fundamentais do Homem, a dignidade de cada um e a tolerância para a boa convivência. Neste que é o Dia Internacional da Tolerância, Sérgio Gorjão, secretário executivo da Comissão Nacional da UNESCO, traça-nos um retrato do que se está a passar no mundo ao nível da tolerância. É que, num mundo com acesso a tanta informação, é a ignorância e a polarização que se estão a instalar.
Dia Internacional da Tolerância: «Na base da polarização está a ignorância que gera o medo e o ódio»
 
 

A 16 de novembro, Dia Internacional da Tolerância, assinalam-se os 25 anos dos Princípios sobre Tolerância adotados pelos Estados-membros da Unesco. O mundo mudou muito. As causas são as mesmas ou diferem nestes 25 anos?

A tolerância é uma das principais conquistas que o ser humano pode e deve realizar no âmbito individual e pela sociedade. Nesse aspeto não há muitas diferenças com o passado, o Homem não mudou muito, mas as condições mudaram. O mundo tornou-se mais “pequeno”, as relações entre territórios passaram a ser muito mais intensas e assiste-se a um processo de globalização.

À medida dos interesses dos Estados e de algumas organizações poderosas, também assistimos a fenómenos de radicalização, por vezes com fundamentos pseudorreligiosos que escondem outras motivações mais grosseiras e que não consideram princípios essenciais à boa convivência humana, democrática, livre e tolerante.

Nos Princípios, os países signatários comprometem-se a defender os direitos fundamentais do homem, a dignidade e o valor da pessoa e a praticar a tolerância para a boa convivência. Com o mundo a polarizar-se (ou se é de A ou de B, não havendo margem para o intermédio) o que está a falhar?

A polarização deve-se essencialmente ao desconhecimento do outro. Não estar voltado para uma compreensão mundividente e por estar excessivamente concentrado numa visão sobre o “eu” ou sobre o “meu” grupo.

Na base desta polarização está a ignorância que gera o medo e os ódios. As sociedades constituídas por pessoas e grupos que têm esta perspetiva tendem a refletir isso mesmo, resultando numa tendência para os nacionalismos exacerbados, para entendimentos “à medida” do que é a religião; de criação de realidades paralelas e intrinsecamente falsas, que se sobrepõem à capacidade de análise crítica, à capacidade de negociação e de entendimento, ou mesmo à simples capacidade de compreensão.

 
Sérgio Gorjão
Sérgio Gorjão, secretário executivo da Comissão Nacional da UNESCO

E como se explica que num mundo globalizado e com acesso à informação como nunca tinha acontecido até agora cresça a intolerância perante a diferença? Não era suposto a sociedade ser mais culta e ponderada?

De facto, é estranho que hoje, mais que nunca, exista acesso a informação sem que esta se traduza em conhecimento. Isto decorre do facto de muita da informação ser de fraca qualidade, acolhida de forma unívoca, acrítica e facilmente circulante nas redes sociais virtuais, muito superficial e tendencialmente manipuladora; e porque as pessoas estão a perder ferramentas de análise, deixando, em muitos casos, que sejam algoritmos informáticos a decidir… daí que a ponderação seja menor.

Se compararmos o lapso entre a informação e a “sabedoria”, aí a situação ainda é mais crítica porque para construir sabedoria é preciso experiência, realização interior, introspeção, humildade… uma capacidade de montar, desmontar e remontar a “realidade” de forma holística, criativa e com um sentido de continuidade entre o passado, o presente e o futuro. Esta perspetiva tridimensional da nossa visão está bastante comprometida no presente.

A banalização da informação (no extremo a banalização de tudo, até da violência e do ódio) tem vindo a roubar tempo para um pensamento mais profundo, para uma tomada de consciência e tem contribuído para cimentar crenças em “princípios” erróneos (que emergem sem a base que deveria ser o conhecimento, a tolerância, a liberdade, a equidade, a igualdade de oportunidades, etc.).

 

Quais são os maiores motores da intolerância? Raça, religião, nacionalismo, homofobia..?

Sem dúvida que o maior motor da intolerância é a ignorância… o não estar consciente ou imbuído de um espírito de fraternidade, de uma compreensão profunda de que o “outro” é exatamente igual a mim… o não perceber o nosso lugar na natureza.

 

Da ignorância ao medo e ao ódio são passos muito curtos. É da ignorância espessa (o não entender de que “Eu” não sou mais nem menos que os outros e de que tudo é interdependente) que nascem as fobias, e que muitas vezes, em vez de as tratarmos, acabamos por as fazer crescer devido à importância que lhe damos. Aqui serve bem a alegoria do D. Quixote lutando contra os moinhos…

A raça, a religião, os nacionalismos, são apenas veículos para exprimir esta insegurança, este falso sentimento de diferença e este desconhecimento profundo.

«Hoje, mais que nunca, exista acesso a informação sem que esta se traduza em conhecimento. Isto decorre do facto de muita da informação ser de fraca qualidade»

A Comissão Europeia Contra o Racismo e a Intolerância do Conselho da Europa avisa, no seu último relatório anual, que o racismo, a discriminação racial e a intolerância estão a aumentar. Os políticos parecem ignorar este movimento na sociedade. Não deveria haver mais firmeza para combater os discursos de ódio?

Tem havido e terá se der aprofundado essa determinação e compromisso claro. Há que saber controlar bem esta situação numa perspetiva social e de longo prazo. Isso começa nas escolas, em casa e na sociedade. Deve, também, haver políticas positivas que estimulem o debate sobre a tolerância, mas também poderá haver necessidade de medidas de contenção de epifenómenos, sem que se caia no extremo da censura ou no cercear das liberdades e garantias básicas dos cidadãos.

 

Há pouco tempo duas universidades e várias instituições de ensino secundário em Lisboa e Loures foram vandalizadas com dizeres racistas e xenófobos. É apenas um exemplo. Portugal está a tornar-se intolerante e racista ou apenas antes tal não era manifestado?

Para responder a esta pergunta haverá que fazer mais estudos e em vários ângulos de abordagem. Pode dizer-se que agora é mais fácil conhecer estes fenómenos e a sociedade está mais desperta para esta realidade. O facto desses “escritos” serem feitos em estabelecimentos de ensino prova bem que é aí que terá de começar o processo inverso. É uma relação de causa-efeito, mas o que é esperado da sociedade (incluindo das escolas) é que reaja positivamente, ou seja, que se torne consciente e atenta a esta situação.

Mas recentemente vimos uma situação caricata em que um grupo alargado de pessoas não queria aulas de cidadania nas escolas, onde se ensina precisamente a ser bons cidadãos, a ser tolerantes. Como se explica uma coisas destas?

Opinião muito pessoal: mais uma vez esta situação ocorre por puro desconhecimento…. É uma espécie de manifesto anti-qualquer-coisa. Os argumentos não colhem e a meu ver nada obsta criação deste novo conteúdo escolar. Aliás, nada deve obstar às aulas de história, de filosofia, de direito, de saúde, etc… A aula de cidadania vem nessa continuidade e é essencial à consciencialização de que fazemos parte de um todo. Temos direitos, deveres, liberdades e garantias consignados em princípios básicos e constitucionais. Não somos uma democracia à la carte. De forma consciente todos temos possibilidade de pensar justificadamente de uma forma, ou de outra, mas terá de haver um campo comum. Sinceramente só percebo o receio destas (poucas pessoas) pelo seu desconhecimento ou desconforto face à abordagem de temas supostamente “sensíveis”. O que será útil é podermos ter uma ideia clara e flexível de como se compõe a sociedade, logo, recorrendo a um ditado popular “cego não é aquele que não vê, mas aquele que não quer ver”.

 

Os partidos nacionalistas de extrema direita estão a ganhar palco na Europa. Isto pode traduzir-se num retrocesso na tolerância ao diferente? Que perigos mais estão à espreita?

É extremamente preocupante que um número significativo da população (nomeadamente dos jovens em idade escolar) não conheça História. A História da humanidade está cheia de eventos violentos, de regimes opressivos, de escravatura, etc… Chegamos ao século XX, muita coisa mudou. A diferença da sociedade de 1901 para a do ano 2000 é abissal. Pelo meio ficaram guerras a uma escala nunca antes vista, mas também é neste momento que se consubstanciam instituições internacionais de controlo e de compromisso entre os Estados, promovendo a paz, o bem-estar, a saúde, o conhecimento e a educação, numa perspetiva de diálogo intercultural. É neste campo que teremos de estar inequivocamente.

É natural que haja ciclicidades, mas não será natural não termos capacidade de reagir face a ameaças já conhecidas na nossa história.

Dia Internacional da Tolerância: «Na base da polarização está a ignorância que gera o medo e o ódio»

Que papel as redes sociais estão a ter e o que estão a provocar na sociedade particularmente no que toca à tolerância/intolerância das pessoas?

As redes sociais podem ser bem usadas, ou mal usadas. O problema não são os mecanismos digitais de comunicação, mas sim a forma como os pomos à nossa disposição, ou a forma como permitimos que isso nos afete. Se dizemos que preservamos a nossa liberdade, então porque é que permitimos que as redes digitais nos controlem?

As redes sociais digitais podem ser um veículo de transmissão de ideias em ambos os sentidos, porém, há que cuidar que o tempo é limitado, por vezes até muito escasso, e temos de ter tempo para pensar no que realmente importa…

 

As pessoas têm vivido apáticas e afastadas de causas. É hora de se afirmarem e tomarem uma posição, ou devem ignorar e não alimentar questões, por exemplo, nas redes sociais?

É sempre hora de tomar consciência e de assumirem compromissos. Não sei se a aparente apatia de hoje é diferente da apatia de algumas décadas em que a maioria pensava que as coisas da política eram “lá para eles”… Depois há períodos que são mais mobilizadores, mas também têm alguma euforia. O 25 de Abril em 1974 foi um desses momentos históricos. A maioria da população não se envolvia em discussões políticas, mas esse foi um momento de grande esperança que tocava a todos, simbolizava, acima de tudo, o fim de uma guerra fratricida e o alcançar de uma certa libertação. Quanto ao alimentar de questões nas redes digitais… vale o que vale, e muitas vezes vale pouco… A maior parte não passam de reclamadores ociosos de sofá. A prática faz diferença… o serviço altruístico de causas é, felizmente, uma realidade de muitos e é isso que vale a pena realçar.

Nunca o Dia Internacional da Tolerância fez tanto sentido. O que é necessário transmitir às pessoas?

Que acreditem no seu potencial e nos outros, que comecem esse processo de transformação em si mesmos e nas suas casas… estarem atentos e verificar se há incongruências entre aquilo em que dizem acreditar e as sua ações e pensamentos. Ter a humildade de corrigir erros em nós e também ter coragem de reconhecer esses erros na sociedade. Contribuir e exigir medidas para uma sociedade melhor, mais justa, mais livre e mais consciente. Investir no “pensar” desapegadamente; não permitir que as chamadas “redes sociais digitais” nos dominem… desenvolver conhecimento e espírito crítico; desenvolver um sentimento de solidariedade e de respeito pelo outro.

 

“If you tolerate this then your children will be next” (“se tolerares isto os teus filhos serão os próximos”) é o refrão de uma das mais famosas canções da banda rock galesa Manic Street Preachers. Vale a pena evocar esta música para fazer despertar a consciência de que todos somos iguais.

Contra a LGBTIfobia

dina_17Maio (2).jpg

 

Dia 17 de Maio é o Dia Internacional Contra a LGBTIfobia. "Deixa Lá" é uma composição de Dina que aborda a Diversidade Sexual (a frase da imagem acima pertence à esta canção).

De lembrar que Dina é um referente da vanguarda:

- Já em 1975 fazia concertos com canções que compunha e se fazia acompanhar em palco dedilhando a sua guitarra;

- Foi a primeira intérprete e compositora LGBTI portuguesa no palco do Eurofestival - Eurovision Song Contest, - em 1992... E quiçá a primeira mulher compositora no dito festival;

- É, até ao presente dia, a única mulher na História de Portugal que fez e cantou hinos políticos;

- É um ícone da Filantropia, pois desde cedo revelou um coração largo e abraço várias causas.

 

 

 

Diversidade no Cancioneiro (Hinário) de Dina

dina_cancioneiro.jpg

 

O cancioneiro de Dina - cantora, compositora e instrumentista (guitarra) - está repleto de canções, diria antes de autênticos hinos, que apelam à visibilidade, motivação, liberdade, superação e celebração da Vida ("Dinamite", "Por Alto Mar", "Ilha do Tesouro", "A Cor da Vida", "Guarda-Chuva",...), à diversidade e empoderamento feminino ("Deixa Lá", "Lençóis de Vento"), de canções que desvendam o Amor no seu estado mais puro ("Guardado em Mim", "Por Causa do Teu Olhar", "Retrato", "Acordei o Vento",....) ou mais atrevido ("Tafetá", "Aqui Estou") ou mesmo com a fantasia e magia próprias de um conto de fadas (“Amor d’Água Fresca”, "Aguarela de Junho", “Que É de Ti",...), canções onde a pura Poesia toma um lugar de destaque ("Arquitecto", "Suco Açúcar"), canções de carácter interventivo ("Desamparem-me a Loja"), que falam de coisas simples e pequenas da Vida ("Pássaro Doido", “Ai, A Noite”, "Vitorina"), de sítios ("Carregal do Sal", "Esta Manhã Em Lisboa"), do orgulho em ser Português ("Soa Bem"),... Enfim, cantos e clamores da alma de Dina que nos fazem sonhar e pensar e nos transformam em uma pessoa melhor, como se de sessões de coaching se tratassem! Obviamente, as letras são acompanhadas de belíssimas melodias 'sui generis', essa estética tão própria de Dina, em estilos ricos e diversos (Rock, Pop, Folk, Funk, Jazz, World Music, Soul, Trova...) , e, claro está, do timbre e voz característicos e ímpares de Dina. Falar de Dina não é só falar da sua Música etérea,do pioneira que a Dina foi em Portugal (primeira cantora e compositora, que se fazia acompanhar da guitarra) mas é obrigatório focar os seus princípios, todo esse seu lado humano e altruísta, com um coração largo que abraçou várias causas nobres, a sua ternura, a sua inocência no acreditar e fazer do Mundo um lugar melhor! O seu legado fica entre nós, a descoberto, para ser conhecido por quem não o conhece e para seguir a ser apreciado por aquelas pessoas que o conhecem e desfrutam de bom grado. Urge voltar a devolver ao público esse material, incluindo obviamente os vários inéditos (em português e inglês), mesmo que sejam só com voz e guitarra (e já não chega?). Mais uma vez, a minha gratidão e um grande Bem-Haja, Dina... Aqui, agora e sempre!

Dina: Primavera Eterna

dina_luto2.jpg

 

Família, amigos e fãs esperavam o milagre... Que não aconteceu. O marulho dessa onda de nome Dina – Ondina Maria Farias Veloso – não era imperceptível, era poderoso, em tudo idêntico a um tsunami! Dina tinha objectivos claros, que passavam por criar ondas com a sua Música (que é intemporal!), agitar as águas da Sociedade e das mentes para não ficarem chocas. Dina abraçou tudo e todos num gesto Universal e Humanista, com o seu conhecido coração largo.

 

Uma grande Mulher e Persona que a Dina foi, digo, é - à uma Glória não se diz adeus, pois ela é eterna, - exemplo de Valores, Coragem, Amor, Entrega, Dedicação. Dina nasceu na Primavera de 1956 e acreditava, com alguma inocência, no Bem dos demais, que os outros eram também pessoas de Bem. Mas apesar de ter começado a editar música em 1975, já num Portugal dito livre e democrático, o lápis azul da censura se manteve e mantém, sinal de um suposto poder que há quem teime em demonstrar ter, não respeitando a Liberdade de terceiros. Dina sofreu na pele a censura de pseudopoderosos, que a proibiram de fazer canções e as cantar em plena época de liberdade de expressão. Até parece mentira, mas a liberdade que temos não passa de uma aparência de Liberdade, algo semelhante à Alegoria da Caverna...

 

Um mês depois da partida física de Dina, também em plena Primavera, o coração continua a meia haste e assim permanecerá ad eternum, derivado à interrupção da sinfonia desta carismática Vida, de uma forma tão abrupta e precoce. Dina encontra-se agora na Primavera Eterna.