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zonaDINAmica

Clube Oficial de Fãs da Cantora e Compositora Dina.

Dina: A 'Scatter' Portuguesa

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Este ano de 2019 teve um acontecimento triste, o desaparecimento físico da cantora, compositora e instrumentista Dina, a 11 de Abril, no Hospital Pulido Valente, em Lisboa. Desde 2006 que Dina estava diagnosticada com fibrose pulmonar e aguardava por um transplante pulmonar, que nunca chegou a acontecer (em tempo útil). Dina era uma mulher indispensável na Cultura e Sociedade portuguesa, contava apenas 62 anos e cinco décadas de canções. Deixa saudade eterna e um enorme vazio no coração, mas fica vivo entre nós o seu Humanismo, o seu activismo pela pessoa humana sem rótulos e indiscriminações, os seus princípios e valores e, claro está, a sua música (editada e por editar).

 

Dina expressava-se por meio de muitas linguagens: Canto (em diversos estilos: Pop, Rock, Funk, etc.), instrumentos, performance vocal e corporal,... Uma riqueza cultural que somente será totalmente conhecida através do tempo. Hoje destacamos a sua faceta 'scatter'.

 

Dina (1956), uma pioneira da Música em Portugal em muitíssimas vertentes, desde muito jovem pegou na guitarra que havia lá por casa, dos irmãos mais velhos, e em vez de tocar e cantar canções que estavam na berra, começa a buscar sons na guitarra. É assim que, ainda estudante do 3º Ciclo e Secundário, começa a compôr e a cantar 'scat' (vocalizar sílabas 'nonsense'). A cantar 'scat' é que Dina faz a maquete para entregar à/ao letrista, acompanhado de alguns motes (frases). É sobretudo ao vivo que, no improviso, o canto 'scat' é caracterizado, mas ao longo de toda a discografia de Dina ele também está presente, desde o início, pelo menos desde o EP de 1976, Dina recorre ao 'scat' nas 4 canções do vinil. Possivelmente no seu primeiro trabalho discográfico de 1975 Dina tivesse já revelado ao "grande público" essa arte inusual em Portugal.

 

Ficam aqui três vídeos de compilações de concertos e actuações de Dina, onde está patente a performance 'scatter' de Dina:

 

Para conhecer alguns nomes do canto 'scat', a Wikipedia compilou alguns.

 

Para conhecer algo mais daquilo que é o canto 'scat', o poeta brasileiro Eucanaã Ferraz explica-o no seu programa radiofónico  "A Voz Humana", recorrendo a exemplos de cantores norteamericanos do Jazz.

 

Para fazerem o paralelísmo, vejam este vídeo de Ella Fitzgerald, considerada a Rainha do Scat lá pelas Terras do Tio Sam: 

 

A Ilha do Tesouro (Dina e José Mário Branco)

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(clicar na foto acima, de Dina com José Mário Branco em 1990, para ouvir a música)

 

No dia da partida de José Mário Branco, lembramos a canção "A Ilha do Tesouro", que fez parte do álbum Aqui e Agora (1990) e que tem a letra deste prestigiado senhor, assim como a música e voz da eterna Dina.

Recordamos que o José Mário Branco e Dina eram sócios da cooperativa cultural UPAV, que era considerada pelas discotecas de então como uma cooperativa marginal, assim como os sócios... Os "tentáculos das multinacionais" acabariam por assassinar os fins nobres da UPAV e dos seus sócios, pouco depois do seu nascimento em 1990!

Infelizmente, esta música no canal oficial do Youtube está 'riscada' (assim como mais duas deste mesmo álbum), por esse motivo fica aqui o áudio ao vivo do concerto de Dina no Teatro da Trindade em 1997 (clicar na foto acima, que ilustra este texto).

Em jeito de desabafo, sem desprestígio e ofensa para com o Carlos do Carmo, que tem e merece todo o respeito do Mundo!, se o representante da UPAV na Eurovisão de 1992 tivesse sido o José Mário Branco, tendo em conta a sua personalidade e carisma, este não deixaria acontecer a atitude machista da RTP de boicotar a presença no cocktail de boas-vindas da Dina e da Rosa Lobato de Faria (intérprete e autoras da canção que representavam as cores de Portugal desse ano!), entre mais alguns, igualmente grosseiros, que fez com que a Delegação ficasse mal vista às restantes. E o resultado acabaria por ser espelho disso,já que naquele então eram elas que votavam e não o público.

Bem-Haja e Descansa em Paz, José Mário Branco!

 

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Soa Bem: Dia Mundial da Língua Portuguesa

A proposta do Dia Mundial da Língua Portuguesa, submetida ao Conselho Executivo pelos nove países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, contou com o copatrocínio de mais vinte e quatro países de todos os continentes e regiões do mundo, e, agora, com o endosso dos cinquenta e oito membros do Conselho Executivo.

 

A deliberação final cabe ao órgão mais representativo da UNESCO, a Conferência Geral, que congrega os cento e noventa e três Estados-membros, na sua 40º sessão, que se realizará de 12 a 27 de novembro de 2019.

 

A importância e riqueza da Língua Portuguesa está bem patente neste Soa Bem, canção de Dina (cantora e compositora) e na letra de Rosa Lobato de Faria, que serve de hino ao Dia Mundial da Língua Portuguesa e de um incentivo positivo à deliberação que irá acontecer por estes dias. Soa Bem, a Língua Portuguesa!

 

 

Diversidade no Cancioneiro (Hinário) de Dina

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O cancioneiro de Dina - cantora, compositora e instrumentista (guitarra) - está repleto de canções, diria antes de autênticos hinos, que apelam à visibilidade, motivação, liberdade, superação e celebração da Vida ("Dinamite", "Por Alto Mar", "Ilha do Tesouro", "A Cor da Vida", "Guarda-Chuva",...), à diversidade e empoderamento feminino ("Deixa Lá", "Lençóis de Vento"), de canções que desvendam o Amor no seu estado mais puro ("Guardado em Mim", "Por Causa do Teu Olhar", "Retrato", "Acordei o Vento",....) ou mais atrevido ("Tafetá", "Aqui Estou") ou mesmo com a fantasia e magia próprias de um conto de fadas (“Amor d’Água Fresca”, "Aguarela de Junho", “Que É de Ti",...), canções onde a pura Poesia toma um lugar de destaque ("Arquitecto", "Suco Açúcar"), canções de carácter interventivo ("Desamparem-me a Loja"), que falam de coisas simples e pequenas da Vida ("Pássaro Doido", “Ai, A Noite”, "Vitorina"), de sítios ("Carregal do Sal", "Esta Manhã Em Lisboa"), do orgulho em ser Português ("Soa Bem"),... Enfim, cantos e clamores da alma de Dina que nos fazem sonhar e pensar e nos transformam em uma pessoa melhor, como se de sessões de coaching se tratassem! Obviamente, as letras são acompanhadas de belíssimas melodias 'sui generis', essa estética tão própria de Dina, em estilos ricos e diversos (Rock, Pop, Folk, Funk, Jazz, World Music, Soul, Trova...) , e, claro está, do timbre e voz característicos e ímpares de Dina. Falar de Dina não é só falar da sua Música etérea,do pioneira que a Dina foi em Portugal (primeira cantora e compositora, que se fazia acompanhar da guitarra) mas é obrigatório focar os seus princípios, todo esse seu lado humano e altruísta, com um coração largo que abraçou várias causas nobres, a sua ternura, a sua inocência no acreditar e fazer do Mundo um lugar melhor! O seu legado fica entre nós, a descoberto, para ser conhecido por quem não o conhece e para seguir a ser apreciado por aquelas pessoas que o conhecem e desfrutam de bom grado. Urge voltar a devolver ao público esse material, incluindo obviamente os vários inéditos (em português e inglês), mesmo que sejam só com voz e guitarra (e já não chega?). Mais uma vez, a minha gratidão e um grande Bem-Haja, Dina... Aqui, agora e sempre!

Dia de Portugal

No Dia de Portugal, recordamos uma homenagem de Dina à sua terra Natal, Carregal do Sal (concerto de 1997). Neste Dia de Portugal, também fazemos Memória do talento da eterna compositora e cantora Dina, uma Portuguesa de alma e coração, entregue a causas nobres.

 

 

Dina: Primavera Eterna

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Família, amigos e fãs esperavam o milagre... Que não aconteceu. O marulho dessa onda de nome Dina – Ondina Maria Farias Veloso – não era imperceptível, era poderoso, em tudo idêntico a um tsunami! Dina tinha objectivos claros, que passavam por criar ondas com a sua Música (que é intemporal!), agitar as águas da Sociedade e das mentes para não ficarem chocas. Dina abraçou tudo e todos num gesto Universal e Humanista, com o seu conhecido coração largo.

 

Uma grande Mulher e Persona que a Dina foi, digo, é - à uma Glória não se diz adeus, pois ela é eterna, - exemplo de Valores, Coragem, Amor, Entrega, Dedicação. Dina nasceu na Primavera de 1956 e acreditava, com alguma inocência, no Bem dos demais, que os outros eram também pessoas de Bem. Mas apesar de ter começado a editar música em 1975, já num Portugal dito livre e democrático, o lápis azul da censura se manteve e mantém, sinal de um suposto poder que há quem teime em demonstrar ter, não respeitando a Liberdade de terceiros. Dina sofreu na pele a censura de pseudopoderosos, que a proibiram de fazer canções e as cantar em plena época de liberdade de expressão. Até parece mentira, mas a liberdade que temos não passa de uma aparência de Liberdade, algo semelhante à Alegoria da Caverna...

 

Um mês depois da partida física de Dina, também em plena Primavera, o coração continua a meia haste e assim permanecerá ad eternum, derivado à interrupção da sinfonia desta carismática Vida, de uma forma tão abrupta e precoce. Dina encontra-se agora na Primavera Eterna.

 

5 de Maio - Dia da Língua Portuguesa

A Cantora e Compositora Dina, precocemente falecida a 11 de Abril de 2019, tinha orgulho em ser portuguesa e carregalense. Foi pioneira, audaz e persistente. Dina reinventava-se em cada música sua. O seu timbre de voz era único, detectável e apreciado. Dina tinha a preocupação de criar boas canções. Cantou e morreu de pé. A sua Obra, a conhecida e a inédita, é de carácter obrigatório ser ouvida e dada a conhecer. Dina cantou o Amor. Estamos em meados do século XXI e certas maneiras de pensar onde impera o ódio, nos seus mais variados ramos, não são admitidas e têm de ser tratadas devidamente. Recordamos o tema "Soa Bem" (ao vivo).

 

 

Dina: Um Amor... De Água Fresca

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Pegando no cognome de Dina, lembrado e atribuído pelo Samuel Úria, trago a canção "Amor d'Água Fresca" (música e interpretação de Dina e letra de Rosa lobato de Faria), que faz parte da memória colectiva de Portugal e que representou o País no Eurovision Song Contest (ESC) de 1992 em Malmö, na Suécia.

 

Esta canção, após a vitória no Festival RTP da Canção, foi muito maltratada por alguns pseudo-jornalistas (sem formação em jornalismo, nem em música, nem como Pessoa sequer), que achavam que a letra não tinha qualquer sentido. Longe de ser a única canção cuja letra foi criticada, ainda hoje essa controversa sem sentido é lembrada. Para alguns, a papinha tem de ser toda feitinha e dada na boca. Para essas pessoas, lembro uma belíssima canção brasileira com letra em português de Fernando Brant e com música de Milton Nascimento, aqui na saudosa voz de Elis Regina - "Canção da América". Fazendo um paralelo entre estas duas canções, a dada altura a letra de Brant diz "Amigo é coisa pra se guardar / Do lado esquerdo do peito". Ora, para se conhecer quem é amigo há que primeiro experimentar - "trincar". - Porém, antes disso há que tomar a iniciativa de conhecer pessoas - "pegar". - Só desta forma se pode finalmente, a quem mereça, guardar do lado esquerdo do peito - "meter na cesta". - É este o encanto da complexidade do Amor, simplificado/descodificado nas três acções pegar, trincar e (caso valha a pena) meter na cesta [no coração]. Esta descodificação também foi feita por um Sítio francês, que compreendeu bem a essência do Poema, já que enaltece a originalidade da canção e elogia o vocabulário novo atribuído ao tema mais recorrente das canções [o Amor]:

 

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O 17º lugar e os 26 pontos conseguidos pela canção foram contestados. E ainda é considerado injusta a má classificação obtida, onde em vários TOPs do Youtube isso é espelhado, colocando "Amor d'Água Fresca" em melhores lugares, inclusive nos 10 primeiros lugares... E até no TOP3(!), chegando a rotular a canção como bonita e cativante ("cute" e "catchy"):

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O êxito pré-ESC referente à canção portuguesa por parte da Europa, que teve acesso ao videoclip que cortava com tudo o que já foi feito, assim como a versão "ecológica" em língua inglesa, murchou graças a vários desrespeitos por parte da RTP. Nesse ano de 1992 a delegação da RTP lembrou-se de proibir a participação das autoras e intérprete da canção (Dina e Rosa Lobato de Faria) no cocktail de boas-vindas na Suécia, ficando retidas no quarto de hotel. O que a RTP comunicou às restantes delegações, sobre a ausência das pessoas mais importantes de Portugal? Estavam assim tão famintos, com uma gula insaciável? Além disso, os planos de realização eram monótonas e repetitivos, sem diversificação, sem ritmo. O vestuário de Dina era completamente desadequado à canção, estando ela mais livre e solta com o que levou na final nacional da RTP, onde as cores azul-água e branco destacavam o tema da canção, assim como a blusa com frutas pintadas a mão pelo José Manuel Costa Reis. Ninguém da comitiva da RTP teve a amabilidade e o cavalheirismo de distribuir o merchandising que os amigos de Dina tiveram o trabalho de fazer para promoverem a canção de Dina. Teve de ser a própria Dina que, saco às costas, andou a distribuir o material promocional pelas outras delegações e intérpretes, o que foi muito mal visto pelas outras delegações. Ao longo da história do ESC, os nossos representantes são alheios às más classificações obtidas no ESC. A pontuação obtida por Portugal foi a seguinte:

 

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"Amor d'Água Fresca" é uma canção que desperta não só a boa disposição e energia, mas também todos os sentidos, é uma canção altamente sinestésica! Recordamos de seguida as actuações na semifinal e na final do Festival da Canção, assim como o videoclip e a passagem pelo ESC (da final e do 2º ensaio, que foi bilingue) desta canção autobiográfica da eterna Dina:

 

Imagens: Internet