Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2017

25 anos de Amor d'Água Fresca (V) - Fim

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Não obtendo a vissiblidade desejada com o seu álbum Aqui e Agora (1991), Dina decide concorrer ao Festival RTP da Canção 1992. Vontade que deu os seus fruto, como já foi aqui desenvolvivo, devido ao arrojo e originalidade de Amor d'Água Fresca, com música de Dina e letra de Rosa Lobato de Faria.

 

Para encerrar esta efeméride comemorativa dos 25 anos de Amor d'Água de Fresca, vamos ficar o saber o que aconteceu de 1992 até ao momento com esta canção, que deu nas vistas, agradecendo a Dina e a Rosa Lobato de Faria pela sua criação.

 

» No ano em que o canal de televisão SIC nasceu (foi em 1992), ouvia-se uma canção com futuro... Sim, a tal da fruta(!), que comprova o enorme sucesso que Amor d'Água Fresca teve nesse ano. Dina teve honras de abertura da SIC em Festa em 2013:

» Aquando do evento Noite das Estrelas - 45 Anos de Festival da Canção, a 23 de Novembro de 2009 no Teatro Tivoli (a receita de bilheteira revertia a favor da Casa do Artista), Sebastião Sousa entrega uma recordação da efeméride à Dina, após esta ter recordado a canção que venceu o mesmo festival em 1992 e que se viria a tornar intemporal (mais fotos):

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» A 15 de Maio de 2010 Dina é a convidada de honra da 2ª edição do Festival Alternativo da Canção (ideia e organização do radialista Fernando Alvim), onde, para além de integrar o júri de apreciação das 12 canções concorrentes, interpreta o imortal "Amor d'Água Fresca" (mais fotos):

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» Em 2010 Dina é a convidada musical da Convenção Anual de Vendas da Sociedade Central Cervejas e Bebidas, onde brindou os presentes com uma versão deste clássico, adaptado à bebida Luso de Frutas:

 

» No Festival RTP da Canção 2010, houve um sentido Tributo à Escritora (em várias categorias) e Actriz Rosa Lobato de Faria, letrista de várias músicas de Dina, falecida a 02 de Fevereiro desse mesmo ano, vítima de uma anemia, aos 77 anos (no vídeo, as quatro (4) canções que a Rosa escreveu e que arrecadaram a vitória no Festival da Canção):

 

» Como término desta efeméride, ficam algumas versões de Amor d'Água Fresca existentes na internet (a primeira está editada em CD):

> Cravo & Canela

 > Alex VanTrue (versão em Power Metal)

> Sandra Camilo e Rui Rocha

> Carapaus, Azeite e Alho (intercala com "Abram Alas para o Noddy")

 

publicado por zonaDINAmica às 15:30
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Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2017

25 anos de Amor d'Água Fresca (IV)

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Já com a equipa de Amor d'Água Fresca chegada a Malmö, na Suécia, na altura do cocktail de boas-vindas oferecido pela Organização do Eurovision Song Contest (ESC) a todos os países,  a RTP lembrou-se de dispensar do mesmo a intérprete e as autoras da música e da letra, isto é a Dina e a Rosa Lobato de Faria, tendo estas ficado retidas no hotel. Atitude grotesca esta, por parte da RTP, que acabou por ser reflectida no desinteresse de alguns jornalistas e comitivas internacionais (o nosso videoclip, assim como a versão em inglês da canção, deram a volta à cabeça a muita boa gente, ficando maravilhados e curiosos). Qual o motivo que levou a RTP a agir com tal desrespeito às pessoas de Dina e de Rosa Lobato de Faria? O que é que por lá, no cocktail, a RTP disse da nossa canção, da sua intérprete e das suas autoras? Qual foi a desculpa esfarrapada que a RTP deu, perante a Organização e restantes convidados, para as pessoas mais importantes da canção portuguesa não estarem lá presentes? Etc., etc., etc.

 

Dina teve também o cuidado de promover Amor d'Água Fresca também em Malmö, levando bastante material de promoção, maioritariamente feito por amigos de Dina. Foi a primeira vez que a participação de Portugal no ESC teve o cuidado de levar material promocional da sua canção. Uma vez que a RTP não levou pessoal (responsável), foi a mesmíssima Dina que, com saco às costas, andou a distribuir o dito material pelos jornalistas e comitivas dos restantes países. Se para Dina "não cairam os parentes na lama", como ela referiu, esta atitude de desembaraçaso, maturidade e dedicação foi olhada de lado, com desprestígio, por parte de algumas comitivas.

 

Chegado o grande momento, a 09 de Maio de 1992, Dina defende a sua canção e País no 37º Eurovision Song Contest, subindo ao palco do Malmömässan na 8ª posição. É de guitarra em riste e voz colocada, com desenvoltura, profissionalismo, boa disposição, garra, irradiando joviabilidade, assim como boas vibrações e cumplicidade com o espectador, que Dina apresenta dignamente o divertido Amor d'Água Fresca para vários paises europeus.

Amor d'Água Fresca ficou em 17º lugar da tabela, entre 23 países participantes, com 26 pontos. Portugal recebeu pontos de Alemanha (8), Israel (8), Jugoslávia (5), Finlândia (2), Grécia (2) e  Itália (1). A canção teve na Direcção de Orquestra o Carlos Alberto Moniz. No palco, acompanharam Dina o João Falcato (teclas e sobrinho de Dina), a Claudia Veloso (coro e prima de Dina), o Nico da Câmara Pereira (guitarra e coro) e (?) (bateria). Os três primeiros elementos já acompanham a Dina desde a semifinal do Festival RTP. 

Porém, sendo o ESC um grande evento mundial, há três ensaios obrigatórios. Ficamos com os dois primeiros, sendo que o segundo ensaio teve o pormenor de ter sido uma interpretação bilingue (português e inglês) - a RTP não aprovou o seu uso, que ajudaria à compreensão da canção por parte dos outros países:

Na passagem pelo ESC também houve momentos de boa disposição e descontracção como na foto abaixo, antes da grande noite, onde Dina, com um leve toque de loucura, faz uma reinterpretação de Carmen Miranda, substituindo a fruta por flores (existentes na versão em língua francesa de Amor d'Água Fresca). Aliás, a simpatia e alma de Dina fazia-se notar por onde passava e era bem apreciada.

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A titulo de curiosidade, fica aqui o resumo das 23 canções participantes no Eurovision Song Contest 1992, por ordem de apresentação:

 

publicado por zonaDINAmica às 19:17
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Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2017

25 anos de Amor d'Água Fresca (III)

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Antes da partida para Malmö, na Suécia, tras ter vencido o XXIX Festival RTP da Canção com um tema fora da caixa e arrojado, impunha-se uma promoção da música com um videoclip à altura, com um carácter diferenciador vincado. E foi isso que aconteceu! Portugal, para o certame da Eurovisão, teve, em Amor d'Água Fresca (música e interpretação de Dina e letra de Rosa Lobato de Faria [ letra ]), um videoclip colorido, dinâmico e audaz, carregado de energias positivas e a jorrar boa disposição, que ia muito para além de um mero bilhete postal do País. O videoclip, produzido pela UPAV (editora que gravou o trabalho anterior de Dina - Aqui e Agora), apresentava, para além de "três Dinas" - uma na pele de Carmen Miranda, outra na de uma Diva (a cantar num bar, com um longo vestido) e a terceira na sua própria pele, de Dina tal e qual é, -  as presenças monstruosas dos modelos Sofia Aparício e Ricardo Carriço percorrendo espaços típicos de Lisboa. 

 

 

O videoclip era apresentado diariamente nos serões da RTP1, após o Telejornal das 20h00. Fez um enorme sucesso e foi bastante elogiado, aquém e além-fronteiras! Tanto a canção Amor d'Água Fresca como o seu videoclip tornaram-se intemporais. Mas isso é outra história...

 

A promoção de Amor d'Água Fresca também passou pela divulgação discográfica da canção, que contou também pela versão da canção em quatro línguas (português, inglês, francês e castelhano), interpretadas todas elas pela Dina, sendo esta uma das canções mais versionadas na história de Portugal na Eurovisão e a que contou com mais versões oficiais em toda a década de 90 e até aos dias de hoje.

 

» Single promocional em vinil:

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» Minicassete:

minik7_AAF1992.jpg

» CD que inclui as quatro versões linguísticas de Amor d'Água Fresca:

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» O videoclip com a versão em língua inglesa de Amor d'Água Fresca (muito interessante e activista!) [ letra ]:

» O videoclip com a versão em língua francesa de Amor d'Água Fresca letra ]:

» O videoclip com a versão em língua castelhana de Amor d'Água Fresca letra ]:

 

 

publicado por zonaDINAmica às 16:56
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Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2017

25 anos de Amor d'Água Fresca (II)

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Após ter sido apurada na semifinal, Dina participa com Amor d'Água Fresca na Final do Festival RTP da Canção 1992, que se realizou a 07 de Março no Teatro São Luiz (Lisboa). A postura completamente solta e completamente livre de Dina, aliada ao seu timbre de voz único e característico, com música (autoria de Dina) original e facilmente identificável logo aos primeiros acordes, conjugada a uma letra (autoria de Rosa Lobato de Faria) que acrescenta um vocabulário novo ao frequente tema do Amor nas canções, recorrendo a um jogo de palavras (frutas) e sonoridades que despertam aromas e paladares, acabaram por ser trunfos que deram os seus frutos: Dina sagra-se vencedora com 230 pontos, mais 60 pontos que a canção classificada em segundo lugar!

 

» Rosa Lobato de Faria (autora da letra) e Dina (autora da música e intérprete da canção), lado a lado, permaneciam serenas durante a votação:

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 » Dina, vitoriosa e visivelmente feliz, com um prémio em cada mão (um de melhor canção e outro de melhor composição ) mais um enorme e colorido ramo de flores:

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publicado por zonaDINAmica às 20:38
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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2017

25 anos de Amor d'Água Fresca (I)

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Na tentativa de se relançar, Dina decide participar no Festival RTP da Canção de 1992. Para tal, tem de sujeitar-se ao crivo de uma semifinal. Assim sendo, Dina participa na 2ª semifinal de apuramento ao Festival da Canção, que aconteceu a 19 de Janeiro no programa 'Entretenimento Total', apresentado por Júlio Isidro, com a canção Amor d'Água Fresca (música de Dina e letra de Rosa Lobato de Faria). Venceu a mesma com 40 pontos (mais 10 do que a segunda classificada), obtendo assim a classificação para a final.

Recordamos aqui essa participação que apurou Dina para o Festival RTP da Canção de 1992:

 

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Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2016

Dina e a Filantropia

Há quem tenha um coração maior que o Mundo. E Dina tem um coração assim: Não consegue dizer 'não' a um convite para um Bem Maior e não consegue deixar de fazer um gesto Maior quando sente esse ímpeto. Dina é uma abraçadora e causadora de Causas. Ficam aqui alguns exemplos desse altruísmo, de que existem registos na internet.

 

»» I Grande Noite Contra Leucemia

» 27 de Fevereiro de 2010

Dina faz parte de um painel de artistas convidados para um concerto que visava angariar fundos para a Associação Portuguesa Contra a Leucemia. Fica um vídeo com a primeira parte dessa participação (acompanhada de Miguel Castro):

 

»» "Quatro Patas de Prontidão"

» 11 de Junho de 2004

É este o título de uma notícia do Correio da Manhã, na data indicada, e fala dos cães do Grupo Operacional Cinotécnico do Corpo de Intervenção da PSP - estes cães são destinados a patrulhamento e ordem pública e  outros especializados na busca de explosivos, estupefacientes e busca e salvamento. - A certa altura do artigo há um destaque: "Este é o canil da ‘Xiana’, uma ‘retriever do labrador’, que, há dez anos [1994], foi oferecida ao Grupo pela cantora Dina. Ainda continua no activo e das várias ninhadas que já teve ficámos com quatro filhos. De entre eles destaca-se o ‘Pilão’, que é especialista em operações de busca e salvamento e participou em missões na Turquia, na Argélia e no Irão".

 

»» Evocação da Poesia de Rosa Lobato de Faria

» 21 de Março de 2010

Iniciativa da Junta de Freguesia dos Prazeres (Lisboa) que, para celebrar o Dia Mundial da Poesia, decide homenagiar a poetisa falecida a 02 de Fevereiro desse ano: Rosa Lobato de Faria. Dina não poderia faltar a dita homenagem, cantando as letras que a sua amiga Rosinha lhe escreveu: Ninguém mais escreverá letras para as suas canções com a "facilidade" que a distinguia pois as palavras pareciam estar à espera, como se tivessem estado sempre ali, dentro das melodias

dina_21Março2010_Homenagem RosaLobatodeFaria1a.jp

 

»» Dina contribui com a sua presença e voz em músicas de cariz solidário:

» Pirilampo Mágico 1994

 

» Pirilampo Mágico 1995:

 

» Racismo Não (1996). A venda deste CD reverteu a favor da AMI (Assistência Médica Internacional). 

» Novo Amanhã (1996), do projecto Correr Contra a Sida

 

»» Dina também marcou presença em natais do hospital, assim como em outras iniciativas da televisão e da rádio (participa na canção de Natal da Rádio Renascença (1993), que é uma adaptação para português do clássico "White Christmas" - "Eu penso no Natal branco,/ Com crianças que riem brincando,/ Oiço cantando uma canção feliz"...).

dina_natal hospitais94a1.jpgDina no Natal dos Hospitais 1994 (RTP), interpretando "Por Alto Mar"

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Dina no Natal dos Hospitais 1997 (RTP), interpretando "Tafetá"

 

 

publicado por zonaDINAmica às 20:24
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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2016

Dina condecorada em Carregal do Sal

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Aconteceu a 18 de Julho de 2016, durante as celebrações do Dia do Município de Carregal do Sal. Ondina Maria Farias Veloso, mais conhecida por Dina Veloso, foi distinguida com a Medalha de Mérito Municipal Cultural, Grau Ouro, «por toda uma vida entregue ao mundo da música, tendo sido atraiçoada, recentemente, por uma fibrose pulmonar que a obrigou, precocemente, a terminar os 40 anos de uma carreira musical genuína e jeito peculiar, que soube sempre ligar às suas origens». Um reconhecimento merecido. A entrega da medalha e do respectivo certificado foi feita pelo Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, e pelo Presidente da Câmara Municipal de Carregal do Sal, Rogério Mota Abrantes. Lembre-se que Dina fez concertos beneméritos na sua terra natal, em que o total angariado chegou a ser, por exemplo, para os Bombeiros Voluntários locais. [Fonte]

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Quinta-feira, 31 de Março de 2016

Dina em entrevista - ionline

Dina. “Se soubesse que podia dizer ‘não’ teria dito que não ia ao Festival da Canção”

CLÁUDIA SOBRAL - 21/03/2016

 

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O último concerto já foi há três anos e foi um último concerto perfeito. Gonçalo Tocha pediu-lhe mais um, de homenagem, para revisitar “Dinamite” – e fechar um ciclo 

 

Nunca nos entrou na cabeça em crianças por que é que Dina cantava kiwi com u em vez de v. Também queríamos muito uns brincos iguais àqueles, de qualquer forma não foi para falar de “Amor de Água Fresca” que nos encontrámos com ela no São Luiz, em Lisboa, que em 40 anos de carreira cabe muito mais do que isso. É aqui que amanhã à noite Ana Bacalhau, B Fachada, Best Youth, Da Chick, D’Alva, Márcia, Mitó, Samuel Úria, Tochapestana, Manuel Dordio, João Pinheiro, David Santos e João Gil se juntam a Dina para revisitar “Dinamite”, o seu primeiro disco, “álbum seminal da música moderna portuguesa que passou despercebido no seu tempo”, num concerto que (juntamente com o de dia 24, noRivoli) marcará oficialmente o encerramento da sua carreira.

Quando olha para trás qual é o momento mais importante?

Houve vários. Desde 1980, quando participo no Festival da Canção e os próprios jornalistas que estão a cobrir o certame têm necessidade de criar um prémio. O prémio revelação foi criado pelos jornalistas, tenho lá em casa um papel do “Se7e”, do “Correio da Manhã”, dos jornais da altura. Tive vários momentos importantes. Valeu a pena? Valeu. Pena é que tinha vontade de continuar e não posso. Posso como compositora, como cantora está fora de questão.

Tem muitas músicas na gaveta. Alguma dessas merecia mais estar nalgum dos seus discos do que as que ficaram?

É sempre difícil responder a isso. Quando acabamos de gravar um disco já estamos insatisfeitos. Por que é que não fiz aquilo de outra maneira, por que é que fiz assim o disco, com esta faixa em vez de outra? 

Depois dessa primeira participação no Festival da Canção grava “Dinamite”.

É o meu primeiro álbum. Estava a trabalhar só focada nesse álbum, não queria festivais nem nada disso. É um álbum que está repleto de coisas fantásticas mas passou um bocado ao lado, quase invisível, porque eu não sabia que podia dizer não. 

Está a falar de quando foi pela segunda vez ao Festival da Canção.

Exatamente. Cantar duas canções do LP “Dinamite”, que na altura não queria mesmo. Ainda gravei o “Pássaro Doido” e depois o single “Há Sempre Música Entre Nós”, que era o que eu queria levar ao Festival da Canção – e aí, sim, acho que teria corrido bem, não sei o que aconteceu, se calhar perdeu-se nos corredores, se calhar ninguém a mandou, não me interessa. Para as pessoas a Dina é o “Amor de Água Fresca” e “Há Sempre Música Entre Nós”, mas tenho uma discografia mais vasta e bem puxada. Daí o Gonçalo Tocha ter pegado naquele disco, “Dinamite”, que ninguém sabe que existe - a não ser os curiosos.

Estava a dizer que não sabia que podia dizer não.

Se soubesse que podia dizer “não”, teria dito que não ia ao Festival da Canção. Concorreram com três canções do LP à revelia, sem eu saber. E quando chegaram todos entusiasmados a dizer “apuraram-te três canções”, fiquei zangada. Devia ter dito que não. Não se faz isto, mas aí foi a minha ignorância.

Era outra época.

Claro. Não gostei mesmo nada do que aconteceu, mas achei que não tinha saída. Etinha, isto nos dias de hoje era impensável. Mas a partir daí nunca mais me endireitei. Ainda gravei o “Pérola, Rosa, Verde, Limão, Marfim” mas depois perdi o fio à meada, fiquei desmotivada e foi complicado retomar a confiança. Senti-me traída... Percebi anos mais tarde por que é que isso tinha acontecido.

Mas isso condicionou a sua carreira?

Não foi só isso. Tenho a certeza que fiquei aquém do que poderia ter sido, podia ter feito muito mais coisas. E a culpa aqui não é só disso, houve coisas que não soube gerir. Senti-me sempre um bocado isolada e houve coisas que fiz bem e coisas que fiz muito mal. Mas há uma coisa de que tenho a certeza: nunca defraudei quem gostou de mim desde a primeira vez, porque o trabalho é sempre muito... tem uma marca, tem um registo. E quando o Gonçalo Tocha fez o repto a toda esta gente [para o concerto], eles conheciam-me todos. Não tinham a noção de todo o meu trabalho, mas tinham alguma. Esta malta toda que vai cantar, podiam ser meus filhos. E para mim isto é uma honra, ficarei eternamente grata. Houve uma empatia muito grande quando o Gonçalo descobriu o disco e disse “giro, giro era tu gravares connosco”. Foi aí que tive que lhe contar que estava com um problema respiratório. E foi aí que ele disse: “Então vamos fazer uma celebração da tua música, já que não podes cantar”.

Mas vai cantar pelo menos uma?

Vou, tem que ser.

Qual?

Não digo! [risos]

Tem aquela coisa de num dia lhe apetecer mais uma que outra?

Não, tem mesmo a ver com os problemas respiratórios. Por exemplo, os dias mais húmidos são extremamente complicados. Levanto-me e já terminou o dia para mim. Imagine o que é estar o dia todo dentro de um colete de forças, sempre apertado.

Como é que foi quando descobriu que tinha fibrose pulmonar?

Sabe que os pulmões são um órgão muito emocional e em 2006 perdi dois irmãos, um em março, outro em julho. Perder os pais é uma coisa de que não estamos à espera mas faz parte da vida, os irmãos... eles crescem connosco. E eu sentia aqui um peso, pensei que era angústia, porque não conseguia respirar, fui ao médico e como não sou fumadora ele não viu grande coisa mas disse “vamos fazer uma TAC”. E na TAC não houve sombra de dúvidas. Mas ainda conseguia andar de bicicleta quando ia a Carregal do Sal, sentia-me cansada mas não tanto.

Então quando percebeu que tinha que deixar de cantar?

Há três anos dei o último concerto, na Figueira da Foz. Entretanto perdi outra irmã, em 2012, foi muito complicado gerir porque tive dois meses e pouco para me preparar para isso, desde que ela adoeceu. Mas conseguia fazer os concertos. A 22 de setembro faço esse concerto e parecia que havia ali uma magia qualquer. O casino estava cheio, eu, duas guitarras e um piano. Fantástico. Nem me senti cansada. No dia seguinte estava de rastos. E depois, nos ensaios, percebi que já não conseguia. Não conseguia afinar. Uma pessoa tem que ter pulmão para aguentar a nota. Depois foi piorando e não consigo, não consigo mesmo.

Acha que podia ter sido outra coisa?

Gostava de ter sido médica mas médias, xau, mas gostei sempre muito de música. A primeira vez que peguei numa guitarra, aos 14 anos, comecei logo a tentar compor as minhas coisas, não queria cantar as dos outros. Comecei, logo em duas cordas, a querer fazer aquilo que ia na minha cabeça, portanto acho que mais cedo ou mais tarde aquilo ia revelar-se. 

Como é que veio para Lisboa?

A minha irmã mais velha veio cedo para Lisboa trabalhar. Eu vinha de vez em quando, mas definitivamente vim em 1977, 78, para o Senhor Feliz e o Senhor Contente. A minha irmã conhecia bem o João Soares Louro, que nessa altura era presidente da RTP e havia [no “Nico no País das Maravilhas”] uma rubrica para dar lugar aos novos. Fui aos livros lá de casa, encontrei um poema do António Gedeão que musiquei e foi isso que levei ao programa. Depois saiu uma crítica do Mário Castrim, que dizia mal de toda a gente e de mim disse maravilhas. Apresentei-me na Polygram a cantar umas canções num inglês mal amanhado, o Tozé Brito ouviu e disse “tens quem te faça a letra?” Tinha o Eduardo Nobre, que fez o “Guardado em Mim”.

E a história do CDS?

A história do CDS é mais tarde, em 95. Portugal estava num marasmo, mas sempre me estive a borrifar para a política, juro. Só que o Manuel Monteiro sabia que, para fazer passar uma mensagem, era preciso um discurso articulado. E conseguiu passar-me a mensagem: entrarmos no Tratado de Maastricht, deixarmos de ter a nossa moeda, temos que ser questionados em relação a isto. Daí a fazer-lhes o hino foi um passo. Nem cobrei. Mas não estou filiada em lado nenhum.

Já estamos sem tempo, mas não queria que nos despedíssemos sem falar do “Amor de Água Fresca”…

Principalmente para vocês que eram miúdos. Depois do lançamento do “Pérola, Rosa, Verde, Limão, Marfim” lanço o álbum “Aqui e Agora”, que não agitou muito. Então foi aí que pensei: “Tenho que fazer uma canção para ganhar”. E fiz uma canção, pus nos auscultadores da minha filhota, ela cantou, e pensei “está feito”. A Rosinha [Lobato Faria] pôs-lhe o cocktail das frutas e ganhei com uma diferença…

E foi à Suécia.

E fui. A Malmö.

 

Fonte: www.ionline.pt/artigo/501112/dina-se-soubesse-que-podia-dizer-nao-teria-dito-que-nao-ia-ao-festival-da-cancao-?seccao=Mais_i

publicado por zonaDINAmica às 18:54
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Sexta-feira, 25 de Março de 2016

DINAMITE ontem no Rivoli (Porto)

dinamite.jpg

 

Ontem realizou-se no Teatro Rivoli (Porto) o último concerto DINAMITE - Celebração da Obra e Encerramento de Carreira de Dina. Não foi, de todo, uma despedida. O Ambiente era de festa. Festa da Música, da Cor, da Poesia, numa explosão de sensações e sentimentos... Dai ser tão difícil reduzir o que aconteceu em palavras... Palavras essas, para já, de agradecimento:

 

- Ao Gonçalo Tocha, o mentor destes concertos em Lisboa e no Porto e por ser o pontífice entre a Música de Dina e a nova geração de cantores da Música Portuguesa, que, no momento do convite, logo deram o seu "Sim!" e abraçaram calorosamente o Projecto;

 

- À esses mesmos cantores da nova geração: Ana Bacalhau [Deolinda], B Fachada, Best Youth - que "aprenderam" (e muito bem!) a cantar em português, - Da Chick, D´Alva, Márcia, Mitó [A Naifa], Samuel Úria e os Tochapestana. Tanto de profissionalismo e talento como de humildade. Deram eco e o toque pessoal às canções de Dina, tanto na interpretação vocal como na presença em palco. Soberbos!

 

- À banda de músicos - os DINAMITE: David Santos, João Gil, João Pinheiro e Manuel Dordio. O Quarteto Fantástico;

 

- À Dina, que mesmo colocada na sombra por alguns, brilha como um sol de verão, que mesmo com limitações de saúde, exala Vida. Estamos sempre contigo! Continua a fazer aquilo que sabes fazer bem, que é compor e (agora dentro do possível) cantar... Para nós;

 

- Aos fãs, que marcaram presença no São Luiz e Rivoli, tornando este sonho real... E um enorme sucesso!


O Concerto de ontem, ainda com as cortinas fechadas, começou com um "totalmente inédito" de Dina, em voz-off, pela própria. Uma balada que à segunda volta já se trauteava automaticamente o refrão. Ao longo do concerto, um outro "totalmente inédito" de Dina surgiu, mas desta vez foi uma canção a rasgar, interpretada pela nova geração de cantores, sendo a voz principal de Da Chick.


As canções apresentadas foram dos mais diversos estilos, algo que é tão natural em Dina, que surpreenderam positivamente  pela forma como, mais ou menos arrojada, foram encarnadas pelos cantores e músicos.

 

Se tudo correr como o planeado, em breve haverá umas boas surpresas para os fãs, que serão as “palavras” que acondicionam tudo o que de veras aconteceu nos concertos DINAMITE.

 

Não quero terminar o texto sem destacar o João Dias, criador da pintura a óleo que ilustra o cartaz oficial do Evento, assim como outras e outros que também fizeram acontecer estas duas noites.

 

Bem-Haja a todos!!

 

 
 
publicado por zonaDINAmica às 10:57
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Quinta-feira, 24 de Março de 2016

Rescaldo do São Luiz, pelo SAPO

» Hoje, 24 de Março, Dina estará no Teatro Rivoli no Porto pelas 21h30, com o projecto DINAMITE, onde uma nova geração da Música Portuguesa (David Santos,Maria Antónia ( Mitó), Manuel Dordio, Márcia Santos,Samuel Úria, João Pinheiro, Ana Bacalhau, João Gil, TOCHAPESTANA, D'alva, Best Youth, DA CHICK e B Fachada) dará eco às canções de Dina.

Recordamos através de fotos e textos a Festa DINAMITE no São Luiz, que foi no dia 22.

» Uma pequena entrevista à Dina antes do mesmo concerto (pelo SAPO): 

 

» Concertos de homenagem à Dina (destaque do SAPO)

» Destaque dos Concertos DINAMITE, pelo SAPO (despedida dos palcos)

» Destaque do concerto no São Luiz, pelo SAPO (Um adeus...)

 

Bem-Haja, SAPO, pela belíssima cobertura! 

 

publicado por zonaDINAmica às 08:33
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zonaDINAmica

Clube Oficial de Fãs da Cantora e Compositora Dina
 

 

NOTAS:

a) Para uma maior comodidade, utilizar o MENU abaixo na navegação.

b) Se gosta da música da DINA participe activamente neste Blog, clicando em 'DINAmizar', e leia as participações de outros fãs, em 'DINAmizações' (ao fim de cada texto). Deixe a sua pegada no nosso LIVRO DE VISITAS e entre no Clube Oficial de Fãs de DINA (clicar em CONTACTOS)

 

 

 

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