Terça-feira, 9 de Setembro de 2008

Entrevista da Dina ao site MusicaOnline

Dina em entrevista: 30 anos fiel à música

Segunda, 4 de Agosto

 

Com quase 30 anos de carreira, "Da Cor Da Vida" é a primeira retrospectiva da carreira de Dina. Em entrevista à MusicaOnline, a cantora portuguesa falou do passado, de política, do festival da canção e já lançou a ponte para o futuro.

MusicaOnline: Boa tarde Dina. Da cor da vida é a primeira retrospectiva da carreira. Como foram os últimos 30 anos ligados à música?

Dina: Tratando-se sempre de fazer exactamente aquilo que quero e não ceder à tentação da moda, por vezes foram tempos complicados. Em termos discográficos oscilei um bocado, mas estive sempre na música. Andei sempre por aí e não me vendi a circuitos comerciais e por isso acho que o balanço é coerente.

MO: A independência que preservou ao longo dos tempos sente que lhe fechou algumas portas?

Dina: Fechou, sem dúvida que sim. Fechou porque Portugal está viciado em coisas muito insignificantes. Uma televisão devia ter programas de música onde lançam novos artistas. Houve programas onde se lançaram grandes talentos, mas não houve continuidade porque não há uma montra.

Não é uma tabela ou um concurso de dança que são programas de música. Depois temos os programas da manhã e da tarde, que falam de outras coisas, onde um cantor vai cantar uma ou duas músicas, o que não mostra o seu trabalho.

Depois temos a rádio, que está obrigada a passar uma cota de música portuguesa. Num país onde não é natural passar aquilo que é seu, algo está mal. A obrigação é uma coisa muito feia.

MO: O Estado deve investir mais na formação?

Dina: Sem dúvida. As escolas deviam estar todas equipadas com auditórios de modo a sensibilizar os jovens para a música e outras formas de expressão artística. Aos 15 ou 16 anos todos amamos música e tocamos um instrumento. São momentos importantes e é aí que nasce muita coisa, independentemente de se seguir ou não. As escolas devem estimular e cultivar a arte, porque faz de nós pessoas melhores.

MO: Quando é que despertou para a música?

Dina: Na minha adolescência tinha o meu clã que se reunia para ouvir a Carly Simon, Genesis ou Pink Floyd e aquilo eram momentos muito importantes. Vivia em Carregal do Sal, onde tudo era mais difícil, daí que a mais pequena coisa tinha uma importância imensa. A partir dos 15 anos isolava-me um bocado e era na música que me perdia e navegava para fora do Carregal. A dada altura percebi que era na música que me projectava. Não era uma aluna brilhante, porque me dispersava imenso e comecei a sonhar com a música.

Para mim a melhor música, perdoem-me os mais novos, é a dos anos 70 e não é à toa que a Amy Winehouse e a Joss Stone vão recuperar essa sonoridade.

MO: A Dina já compôs um hino partidário. Como foi essa experiência e acha importante que os artistas se envolvam em causas sociais?

Dina: Ainda bem que tocas nesse assunto, porque antes de ser uma mulher da música sou uma cidadã e, como cidadã, tenho direitos e deveres para com a sociedade. Na altura o Manuel Monteiro, em conjunto com um grupo interessante de pessoas da minha idade, convidou-me para escrever um hino para o Partido Popular. Achei que era preciso haver alternativas no Parlamento e gostei das ideias que defendiam. Acabei por abraçar aquele projecto, como muitos outros cantores apoiaram outros partidos, mas fui penalizada por ter dado a voz por um partido de direita.

Para teres uma ideia, ainda hoje há Câmaras Municipais com vereação de esquerda, que não me deixam tocar só porque fiz essa canção, o que está profundamente errado já que vivo num país livre e democrático. Eu fiz uma escolha livre e não devia ser prejudicada por isso!

É muito mais importante que os artistas se envolvam em causas sociais, mais do que em questões políticas. Na altura eu fui um pouco ingénua porque estava sem fazer grande coisa e aceitei o desafio de forma sincera e honesta. Admito que as pessoas não tenham gostado, mas acredito que se fosse um partido de esquerda não seria tão prejudicada.

MO: Portugal trata mal os seus artistas?

Dina: O público em geral não, mas não tem acesso nem tempo para as coisas. Os mais novos vão à procura das coisas, mas dos 30 anos para cima é mais complicado porque há o emprego e a família. É o próprio sistema das rádios e televisões que não está bem oleado. É tudo uma questão de moda e o público torna-se preguiçoso.

O mais importante é que o que é bom permanece.

MO: Como é que olha actualmente para o Festival Eurovisão da Canção?

Dina: Há uma necessidade urgente de mudar o rumo das coisas. Actualmente vê-se um desfile de moda e coreografias. Preferia um formato mais simples em que se vissem canções, músicas, compositores e intérpretes. O que se vende actualmente é imagem e não concordo que a maioria dos países cante em inglês.

MO: Alguma vez se sentiu pressionada para cantar em inglês?

Dina: As minhas primeiras canções eram em inglês, que só eu compreendia (risos). Há um preconceito injustificável em relação a cantar em português. Temos uma língua muito rica e é muito mais aliciante cantar em português do que em inglês. A minha música em inglês não faria sentido nenhum.

MO: Com "Da Cor da Vida" fecha-se um ciclo?

Dina: Isto é realmente o fechar de um ciclo de canções. Os dois inéditos são a porta entreaberta para o que vou fazer a seguir. Como deves imaginar, faço muita música para ela vir cá para fora e não ficar na gaveta. As canções são minhas, mas também de quem as ouve. A partir do momento que são ouvidas, as canções passam a ser dessas pessoas também.

O que eu quero é continuar a fazer música de forma coerente, consciente e sem ceder a mercantilismos. Acho que tenho um espaço para mim, que faço música boa de forma simples e interessa-me conquistar um público mais novo, que se tem mostrado receptivo ao meu trabalho, o que é muito gratificante para mim.

MO: Obrigado e boa sorte para este novo ciclo da sua carreira.

 

publicado por zonaDINAmica às 12:04
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5 comentários:
De Jotacê a 23 de Setembro de 2008 às 21:43

Ai, Dina, Dina ... o que será preciso fazer para que compreendas que um novo ciclo na tua carreira precisa necessáriamente de passar por usar as novas 'armas' ao teu dispôr, e que não existiam há 10, 20 ou 30 anos atrás? O que será necessário para te fazer perceber que tens que vir aqui mais vezes, que tens que criar um vinculo permanente com os teus fãs por esta via, que tens que gravar videos exclusivos para o Youtube, tu e o Sérgio, guitarra na mão, com algumas das tuas fabulosas mas quase desconhecidas canções presentes no teu disco 'Da côr da vida' ? É por aí que começa, decerto, a tua nova carreira, pá. Não é com certeza pelo circuito arcaico que já conheces, e que não funcionou contigo. Já ouviste falar da Ana Free, Dina? Esse é o teu verdadeiro 'case study'. Experimenta ir por aí, Dina, e ... talvez tudo seja diferente.


De mímica a 25 de Setembro de 2008 às 12:08
Concordo consigo plenamente, Jotacê! Se as editoras não querem saber dela, queremos nós fãs e ela podia fazer uma conta no youtube e pôr vídeos de entrevistas que deu, dos videoclipes, das participações que fez na tv e dos espectáculos que deu. Já pra não falar dum agradecimento especial aos seus fãs, principalmente dos da Zona Dinâmica! hehhe


De Jotacê a 26 de Setembro de 2008 às 12:08

Obrigado pela 'mãozinha' na animação cá da casa, cara Mimica.

A própria Dina já aqui referiu ontem que não é muito dada a 'Nets'. É uma coisa natural em quem tem 50 anos de idade, e nunca necessitou de trabalhar regularmente com computadores. Mas o facto é que é bastante provável que a DIna venha a compreender por ela própria a importancia de isto tem como meio de agregação de fãs, e de como plataforma de divulgação do seu trabalho, porque, de facto é possivel fazer verdadeiros milagres por aqui.
Olha, vou dar dois exemplos sintomáticos:

- Black (actualmente conhecido tambem pelo seu proprio nome, Colin Vearncombe) : o Black era um gajo loirinho, todo vestido de preto, que há mais de 20 anos teve um sucesso intemporal com a canção 'Wonderful Life'. A maioria das pessoas só se lembra desta canção dele, mas o facto é que o Black é um compositor e um interprete fantástico, de imenso talento, que fez canções brilhantes e lindissimas (se encontrarem algum 'Best of ' dele nos escapares promocionais, não hesitem e comprem, pois vale cada cêntimo). A certa altura da sua carreira, ele largou a sua editora, que o explorava até ao tutano, e passou a promover a sua carreira via internet, por conta propria. Ele tem muito menos fama agora, porque está fora dos grandes circuitos promocionais, e tambem vende muito menos, mas ... vive melhor, continua a cantar e a gravar discos.

Outro caso: os Marillion; A fase de grande sucesso dos Marillion aconteceu nos anos 80, quando ainda tinha o cantor 'Fish'. Depois, o Fish enveredou por uma carreira a solo, e os Marillion continuaram, mas desistiram de depender de editoras. Criaram o seu proprio circuito editorial e promocional via internet, e apesar de não encherem estádios, continuam a gravar e efectuar espectaculos em salas pequenas por esse mundo fora. Tudo o que ganham é para eles! Cansam-se menos, divertem-se mais, mantêm-se no activo, e ganham que lhes chegue!

Estão a ver como é possivel? É claro que sei que em Portugal é muito mais dificil pois o mercado é mais reduzido, mas ... não me parece que a Dina esteja ainda há espera de vir a ganhar discos de platina uns atrás dos outros, e encher estádios. Julgo que as expectactivas dela sejam bem mais modestas e realistas.



De Jotacê a 29 de Setembro de 2008 às 14:56
E então .... ? Alguem conhece o Black? E os Marillion? E alguem tem alguma opinião sobre o assunto que trouxe a debate, e que tanto pode servir á Dina como a outros musicos portugueses que estão total ou parcialmente emprateleirados' pelo establishment vigente (como a Lara Li, o Girão, o Mário Mata, a Né Ladeiras, o Luis Portugal, etc, etc).

Depois não querem que eu me farte de estar a conversar com as paredes virtuais da Net....


De indiolonge a 30 de Setembro de 2008 às 10:08
Olá Jotace!!!
Os Black não lembro, mas os Marillion é claro que sim.
Agora nas fnac's é levar os CD's na algibeira e pô-la a assiná-los, entretanto vamos dando umas achegas para ela aparecer aqui, tipo uma vez por semana (pelo menos), e DINAmizar connosco. Acho até que é uma boa oportunidade de ela publicitar este blog. Vou encher-me de "lata" e dizer-lhe isto...
Abraços.


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